A Capoeira como possibilidade de
Aprendizagem Significativa:
elementos para uma vinculação entre as idéias
de C. Rogers e uma prática educativa* genuinamente brasileira.
Léo Barbosa Nepomuceno[1]
Jogo da vida,
do prazer.
É malandragem,
é saber.
Olhe a queixada, o aú e o rolê.
Jogo do risco,
da coragem de viver.
É festa da arte,
Criatividade minha e sua.
Olhe a armada, o mortal e a meia-lua.
Jogo do movimento,
da expressão orgânica.
É luta, brincadeira,
é interação.
Olhe a mandinga, a rasteira e a benção.
É cultura, é diversão.
É liberdade, é redenção.
É sentimento e emoção.
Iê, capoeira.
Saudação.
(Do autor)
Procuramos, neste texto, demonstrar como a Capoeira pode proporcionar aos seus participantes inúmeras situações de aprendizagem, constituindo-se como uma prática educativa. Como embasamento teórico para essa discussão, faremos referência a Carl R. Rogers (1902-1987), importante psicólogo americano, que desenvolveu, como uma extensão de sua teoria psicológica (Abordagem Centrada na Pessoa), importantes idéias sobre aprendizagem e educação. Tentaremos mostrar como alguns aspectos do pensamento de Rogers sobre educação podem ser ilustrados com situações de aprendizagem vivenciadas na Capoeira, como essas situações podem se encaixar no que Rogers (1978) chama de aprendizagem significativa. Através da utilização de conceitos e idéias deste autor, falaremos de algumas particularidades da Capoeira, de momentos e vivências, dos quais seus praticantes usufruem, que são extremamente ricos em termos de exploração do potencial de crescimento inerente ao ser humano.
Deter-nos-emos, principalmente, nos argumentos que caracterizam, segundo Rogers, o tipo mais completo, eficaz e eficiente de aprendizagem (dita significativa), e usaremos a Capoeira como forma de ilustração. Melhor dizendo, tentaremos mostrar que, em determinadas situações e com determinadas pessoas, a Capoeira pode ser fonte fecunda de situações de aprendizagem bastante significativas e marcantes. É nosso intuito, neste texto, sobretudo, enfatizar como a Capoeira é extraordinária, sendo uma manifestação cultural genuinamente brasileira, que deve ser reconhecida em toda sua magnitude, deve ser valorizada, respeitada e estudada em todos seus aspectos, tanto educativos, terapêuticos, lúdicos, sócio-culturais e etc.
Capoeira ilustrando a aprendizagem significativa
Rogers fala que deve haver uma vinculação entre o que o
aluno está estudando ou procurando aprender e sua realidade prática, ele deve
perceber que o que está aprendendo tem um sentido e uma função na sua vida,
deve perceber que aquele aprendizado lhe proporciona um crescimento e
desenvolvimento notável e perceptível no seu mundo, na sua realidade concreta:
“A aprendizagem significativa
verifica-se quando o estudante percebe que a matéria a estudar se relaciona com
seus próprios objetivos. De maneira um tanto mais formal dir-se-á que uma
pessoa só aprende significativamente aquelas coisas que percebe implicarem na
manutenção ou na elevação de si mesma”. (Rogers,
1978:160).
Na Capoeira, a aprendizagem tem um reflexo claro na
realidade do aluno, ela proporciona uma série de benefícios que influenciam a
própria maneira de o aluno estar no mundo (“ser-no-mundo”). Quando o indivíduo
entra numa roda de capoeira[2],
se insere num ambiente de encontro e contato direto com outra pessoa, que é seu
companheiro (com quem irá jogar[3]),
e um contato e encontro indireto com outras pessoas, que são os outros
integrantes da roda. O ato de entrar na roda pela primeira vez representa o
início do processo de aprendizagem mais significativo da Capoeira, é o começo
dum processo de enfretamento e transposição de barreiras e medos (p.ex. do
risco de contusões) que o capoeirista irá realizar em seu rico aprendizado.
Dentro da roda, são suscitados os mais variados tipos de sentimento, emoções e
reações, que são peculiares deste genuíno encontro que acontece na roda,
encontro esse que é imprevisível e espontâneo, ditado pelo momento, podendo ser
amistoso ou não.
“...é o canto, a ladainha que
evoca o clima e dá o tom do jogo e expressa, resume o que vai rolar, pelo menos
naquele instante. Isto porque o que está acontecendo neste momento, aqui e
agora, pode ser completamente modificado à medida que se vai jogando, é o
encontro que vai dizer o que ‘vai rolar’. É a resposta imediata do parceiro que
vai provocar o tipo de jogo, aberto ou fechado, ou que eu seja mais afoito ou
retrancado” (Amorim in: Freire, 1991:152).
O genuíno encontro realizado na roda de Capoeira tem características semelhantes, senão idênticas, com os encontros e contatos que vivencia na sua realidade. As experiências vividas na roda de Capoeira vão ter várias conseqüências para a vida do indivíduo, na medida em que, na capoeira, está podendo vivenciar momentos de integração e contato significativos, está podendo expressar sentimentos e emoções que, na realidade, muitas vezes é impedido (como, por exemplo, a expressão da agressividade), enfim, está lidando com aspectos emocionais, psicológicos e sociais que podem refletir diretamente na vida do sujeito.
O capoeirista Corisco do Recife, citado por Amorim (in:
Freire,1991:152), expressa muito bem essa situação, quando diz que:
“A capoeira ultrapassa esses
limites que tentamos impor a ela. Ela é um estilo de vida, um modo de ser,
conviver, enfrentar o mundo. É mais que uma filosofia, é a própria vida do
capoeirista. Na capoeira a gente pode expressar a dor, a alegria, a
sensualidade, o ataque, a defesa, a saudade, o encontro”.
Na Capoeira aprende-se a enfrentar e superar muitas dificuldades e situações, o praticante está sempre descobrindo como se colocar nas mais inusitadas e inesperadas circunstâncias, aprende como escapar aos mais variados obstáculos e barreiras, esta sempre trabalhando sua expressão corporal, sua agilidade, sua destreza, sua flexibilidade, criatividade e espontaneidade. Cada aspecto ou característica pessoal trabalhada terá um reflexo na vida do indivíduo, que passa a encarar o mundo e a vida, suas dificuldades e obstáculos, de uma nova forma, com uma postura bem diferente.
Essa característica da capoeira -- que é a do
desenvolvimento, ampliação e aprimoramento de uma postura ou atitude de
interação, enfretamento e luta (frente ao meio) -- talvez possa explicar -- além da
própria história de exclusão da Capoeira, desde sua criação e desenvolvimento -- o motivo de ser ela mais bem recebida e
desenvolvida pelas classes mais oprimidas, classes mais pobres de nossa sociedade, que precisam, até como forma de
sobrevivência, desenvolver uma “atitude de luta”, de resistência, atitude
dinâmica e flexível de superação de barreiras e obstáculos que a realidade
constantemente lhes impõe.
“A luta é o elemento básico para
o enfrentamento dos mecanismos de poder que tentam impedir a auto-regulação, a
liberdade de ser e fazer o que se quer. A disposição de luta numa roda de
capoeira está relacionada às nossas atitudes de luta na vida. A roda é um
treino e um diagnóstico de como estamos lutando. Nosso esquema corporal é um reflexo
direto de nossa vida emocional” (Freire & Da Mata, 1993: 38).
Não devemos esquecer o fato de que as pessoas, de qualquer classe social, precisam superar obstáculos, fazer planos e enfrentar dificuldades de várias formas. Todas precisam desenvolver uma atitude de luta (para todas seria interessante conhecer a Capoeira). Sabemos, entretanto, que condições desfavoráveis (p.ex. carência material e de assistência) dificultam a realização e o desenvolvimento humano e, conseqüentemente, requisitam resistência e maior capacidade de adaptação.
Leitão
(1986:69), falando sobre as idéias de Rogers, enfatiza mais uma característica
da aprendizagem significativa:
“A aprendizagem auto-iniciada, que envolve toda
a pessoa do aprendiz, tanto seus sentimentos quanto sua vontade e inteligência,
é a mais durável e impregnante, levando à auto-realização”.
A
Capoeira pode ilustrar claramente esta característica do tipo de aprendizagem
proposto por Rogers. Nela, o aluno envolve-se integralmente, é o sujeito de
suas ações e movimentos. Insere-se completamente. Esta condição lhe é imposta
até em termos de sua segurança. O indivíduo deve estar atento e consciente da
responsabilidade de seus atos, na interação com o companheiro como o qual esta
jogando. Numa roda de Capoeira, o indivíduo trabalha a expressão de
sentimentos, de emoções, ativa a cognição,
trabalha a espontaneidade, a criatividade, a integração social. Além de tudo,
está se apropriando da história e da cultura do
povo brasileiro.
Ao
entrar na roda, o capoeirista envolve-se
totalmente, está ali de corpo e mente, seu corpo é sua mente (sua “alma”), é
sua arma (Freire, 1991), é sua maneira de se apresentar ao mundo. Na roda, os
seus sentidos são ativados, sua cognição e inteligência são mobilizadas, a
expressão corporal desenvolve-se de maneira a descarregar as tensões que tornam
o corpo rígido, deixando-o mais flexível e maleável. É o momento de encarar o
contato ou confronto com o outro, é o momento de integração com o outro,
momento de vivenciar todas as conseqüências dos seus atos e movimentos dentro
desse jogo, é o momento de
“...enfrentar o parceiro de frente, estar em
permanente alerta, nunca perdê-lo de vista. Todos os golpes, movimentos, ginga
são realizados sem perder o contato com o outro, sem distanciar-se do que está
ocorrendo no momento. É também um movimento de estudo do outro, de pesquisa de
suas reações (fisiológicas, emocionais, psicológicas), do seu modo de jogar
(sua abertura, soltura ou retraimento, desconfiança, malícia). É também a forma
de perceber a hora e a maneira de enfrentar o desafio sem se espreitar. Saber o
momento até de fugir quando a ameaça ultrapassa os seus potenciais, não por
covardia, mas por astúcia, por estratégia de preservação” (Amorim in:
Freire, 1991:153).
Apesar
de existirem movimentos básicos na Capoeira, cada pessoa tem seu estilo próprio
de jogar, cada um tem seu jeito de expressar-se nos movimentos. Isso decorre do
fato da capoeira ser um lugar privilegiado para produção da criatividade, do
cultivo da originalidade e espontaneidade de cada um. É um lugar privilegiado
para expressividade, espaço de desenvolvimento pessoal, onde o praticante
experiencia um processo contínuo de “dar-se-conta-de-si”, um processo de
conscientização de atos e movimentos. O praticante de Capoeira é uma pessoa que
está aprendendo a lidar com as nuanças do improviso, está em contínuo contato
com o seu “aqui e agora”, com sua realidade atual (no sentido de “atos
momentâneos”), está em contato criativo e dinâmico com o meio.
No
processo de participação grupal, que é a Capoeira, o aluno está constantemente
desenvolvendo liberdade e responsabilidade de movimentos e ações, um verdadeiro
processo socializado de crescimento pessoal.
“É por meio de atos que se adquire aprendizagem mais
significativa[...] A aprendizagem é facilitada quando o aluno participa
responsavelmente do seu processo. A aprendizagem significativa aumenta ao
máximo, quando o aluno escolhe suas próprias direções[..] decide quanto ao
curso de ação a seguir, vive as conseqüências de cada uma dessas escolhas[...]a
aprendizagem participada é muito mais eficaz que a aprendizagem passiva” Rogers
(1978:163).
A
vivência da capoeira é uma experiência ímpar. Proporciona ao aluno uma
ativação, ampliação e complexificação da percepção. Uma verdadeira abertura
progressiva à experiência. Na medida em que o indivíduo constrói uma vivacidade
e auto-estima cada vez maiores. Dentro do processo de construção que é a
Capoeira, ele toma consciência de seus potenciais, das possibilidades diversas de se manifestar, e torna-se capaz de
se entregar cada vez mais ao novo, ao seu momento existencial. Torna-se capaz
de adaptar-se de forma mais flexível às mudanças constantes que a realidade lhe
impõe e assume, enfim, uma postura de luta e enfrentamento perante a
vida.
Quando
falamos de “abertura à experiência”, estamos nos remetendo a Rogers (1978:164),
e estamos, desta forma, pensando a Capoeira
inserida no contexto de suas idéias:
“A aprendizagem socialmente mais útil, no mundo
moderno, é a do próprio processo de aprendizagem, uma contínua abertura à
experiência e à incorporação, dentro de si, do processo de mudança”.
A
pessoa indivíduo, principalmente o brasileiro, ao praticar Capoeira, tem a
oportunidade de vivenciar o contato com sua própria cultura, na medida em que
passa a apropriar-se da história desta arte-dança-luta-jogo de raiz
africana, mas de origem brasileira.
A
Capoeira foi inspirada em danças e rituais dos negros africanos, os quais foram
trazidos como escravos para os engenhos de açúcar, no Período Colonial
brasileiro. Originou-se e desenvolveu-se aqui,
todavia, como uma forma encontrada pelos negros escravos, de lutar contra e
resistir às injustiças da escravidão, pela sobrevivência física e cultural de
seu povo. A Capoeira apresenta-se, principalmente, como
uma forma que o Negro encontrou para buscar sua liberdade.
Após
a abolição da escravatura, ela logo se tornou uma poderosa e genuína forma de
resistência dos mais variados grupos ou classes oprimidas[4].
Atualmente,
apesar de a Capoeira ter se disseminado por vários países do mundo, o que
facilmente notamos, ainda, é o fato de ela ser mais aceita entre as classes
mais pobres, e de sofrer uma certa discriminação social frente a outras
práticas esportivas e culturais. Tal fato talvez se deva ao seu próprio
processo histórico de exclusão.
Aprender
Capoeira, então, é aprender sobre a formação cultural do povo brasileiro,
praticar Capoeira é uma forma de manter vivo o jeito de ser do nosso povo, é
trabalhar nossa identidade cultural. Quando uma pessoa conhece e pratica a
Capoeira, entra em contato com a riqueza cultural brasileira, com um modo
genuíno e peculiar de ser-no-mundo[5].
Na Capoeira, enfim, o indivíduo tem a oportunidade de vivenciar uma aprendizagem
significativa, onde aprendiz envolve-se
como um todo (o corpo é a alma e a arma[6]),
tirando lições extremamente ricas para a vida.
Mais
que um esporte, uma dança, uma luta ou um jogo, a Capoeira é uma manifestação
cultural que representa um modo de enfrentar o mundo e a vida. Uma forma que o povo brasileiro, principalmente as classes mais
oprimidas e marginalizadas, encontrou e desenvolveu para resistir e lutar
contra injustiças sociais, e contra formas autoritárias de relação. Ela se
apresenta como uma forma de aprendizagem significativa que se coloca
como uma importante fonte de desenvolvimento e crescimento para seus
praticantes. Na medida em que é uma atividade de intensa expressividade,
constitui-se como extremamente significativa em termos de aprendizagem.
A
Capoeira também é terapêutica, na medida em que proporciona situações
hermenêuticas[7], situações
de interpretação (em seu sentido dramático e teatral) vivencial, de atualização
(ato-ação) das possibilidades de ser inerentes ao homem. Possibilidades de resgate do potencial de desenvolvimento e
crescimento pessoal.
Fonseca
(1998), ao escrever sobre o sentido do termo “interpretação” para as
psicologias e psicoterapias de base fenomenológico-existencial (a abordagem de
Carl Rogers insere-se neste grupo), distingue dois tipos de hermenêutica: uma
que privilegia a ‘explicação’, característica, por exemplo, da hermenêutica
psicanalítica. E outra, que privilegia a ‘compreensão’, que é o caso da
hermenêutica fenomenológico-existencial. Quando falamos da Capoeira, dizemos
que ela proporciona situações de:
“[...] interpretação que se constitui como desdobramento
das possibilidades de ser da compreensão da facticidade e da afetividade
existenciais do ser-no-mundo” (Idem).
Uma
interpretação no sentido de representar, atuar, presentificar, tornar ato as
possibilidades de ser, desdobrar a vivência.
A
capoeira é “lócus” onde se privilegia o vivido, a vivência imediata da
consciência, a interpretação no sentido fenomenológico existencial.
“[..] a interpretação fenomenológico existencial é a matéria
prima de nosso ser-no-mundo, de nosso ser-com-os-outros, ser-no-mundo e ser-com
os outros que dependem de nossa liberdade e capacidade para interpretá-los em
sua riqueza, potência, sutilezas, necessidades e carecimentos próprios” (Idem).
Na
Capoeira, o aluno encontra um lugar de desenvolvimento, um lugar onde pode
desenvolver seus potenciais de criatividade, expressão corporal, originalidade
e espontaneidade, verbalização e expressão de sentimentos, flexibilização do
corpo, integração social, apropriação cultural. Lugar de afirmação de si, de
percepção e encontro genuíno com o outro, de desenvolvimento de uma postura de
enfrentamento da realidade, de uma forma flexível e dinâmica de estar no mundo.
Por
fim, podemos concluir que a Capoeira, quando seus praticantes gostam, sentem
prazer e vêem sentido ao praticá-la, pode ilustrar os vários aspectos de uma aprendizagem
significativa. Aspectos estes que são: o envolvimento do indivíduo como um
todo (organismo); o desenvolvimento da capacidade de mudança; o estímulo e ou
resgate do potencial de crescimento e desenvolvimento inerente ao ser humano; a
ativação e estímulo do processo de auto-regulação do organismo; contribuição
para a ampliação e aprimoramento da percepção de si; a possibilidade de ser qualitativa
e quantitativamente melhor para aquelas pessoas que vêem nela uma
funcionalidade, uma prática intimamente relacionada
com a realidade existencial, com o enfrentamento e superação de dificuldades na
realidade concreta, com o desenvolvimento e crescimento pessoal.
Para
aquelas pessoas que admiram a Capoeira, e crêem que não podem ou não conseguem
praticá-la, pois acham-se incapazes de realizar seus belos movimentos
acrobáticos, suas rasteiras, sua ginga e seus golpes. Enfim, acham-se impossibilitados
de participar dela de forma satisfatória. Talvez seja interessante que conheçam
um pouco mais sobre a visão otimista de Carl Rogers (1978:159-160) com relação
à natureza humana:
“Os seres humanos tem natural potencialidade de
aprender[...] São ambivalentemente ansiosos de desenvolver-se e de aprender. A
razão da ambivalência está em que toda aprendizagem significativa envolve certa
quantidade de dor[...] O primeiro tipo de ambivalência pode ser exemplificado
pela situação da criança que aprende a andar. Tropeça, cai, machuca-se. É um
processo penoso. No entanto, as alegrias de estar desenvolvendo seu potencial
compensam, de muito, as pancadas e contusões[...]”.
As
dificuldades que se enfrenta para aprender a jogar Capoeira ganham dimensões
insignificantes, quando pensamos e percebemos a riqueza de seu aprendizado. A
Capoeira é uma atividade maravilhosa, que proporciona intenso crescimento e
maturação,
“[...] é
uma atividade autônoma de manutenção da saúde para quem a pratica.Depois de
vencidas as dificuldades iniciais, como o preconceito e o medo do risco, a
capoeira acaba virando sinônimo de prazer[..]” (Freire & Da Mata,
1993: 39).
Referência Bibliográfica :
ROGERS, Carl. Liberdade
para Aprender.Belo Horizonte, Interlivros,1978.
LEITÃO,
Virgínia Moreira. Da teoria não-diretiva à abordagem centrada na
pessoa:breve histórico. Revista de Psicologia da U.F.C. Fortaleza,
vol.04, n°01, Jan/Jun, 1986.
FREIRE,
Roberto. Soma: uma terapia anarquista;A arma é o corpo (Prática da
Soma e Capoeira). Vol.2. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 1991.
FREIRE
& DA MATA. Soma: uma terapia anarquista;A síntese da Soma.Vol.3.
Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 1993.
FONSECA,
Afonso H. Lisboa da. Interpretação Fenomenológico-Existencial: Sobre o
Sentido do ‘Interpretativo’ na Concepção e método da Psicologia e Psicoterapia
Fenomenológico-Existencial. (TEXTO INÉDITO).
FERREIRA,
Aurélio B. de Holanda. Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa.
Editora Nova Fronteira, 1988.
.
* Referente à educação, no sentido dado por Ferreira
(1988:234) de “[..] Processo de desenvolvimento da capacidade física,
intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor
integração individual e social[..] Aperfeiçoamento integral de todas as
faculdades humanas [...]”.
[1] Psicólogo Comunitário pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
[2] A roda é o momento máximo da Capoeira, onde o aluno ou praticante (o capoeirista ou “capoeira”) botará em prática tudo aquilo que treinou, onde pode trabalhar toda sua expressividade e agilidade corporal, onde socializará de forma mais adequada do seu conhecimento sobre a capoeira. Uma roda de capoeira é composta por, no mínimo: um tocador de berimbau (pode ter mais), instrumento que ditará o ritmo e o clima do jogo; um tocador de atabaque e um tocador de pandeiro (no mínimo, pois pode haver mais instrumentos como o caxixi, e outros); outras pessoas que estarão batendo palmas, no ritmo determinado pelo berimbau, e respondendo o “coro” (todos devem participar do coro, exceto o cantador principal), que é uma forma de participação no canto ou ladainha; um cantador principal e duas pessoas para jogar dentro da roda. As funções não são fixas, podendo, por exemplo, um indivíduo estar tocando o berimbau e cantando ao mesmo tempo e, num outro momento, estar jogando ou apenas batendo palma e respondendo o coro. É imprescindível, no entanto, que todos estejam participando ativamente na roda de Capoeira.
[3] A Capoeira pode ser considerada como um esporte, como uma arte marcial, porém configura-se como uma mistura de dança, luta, arte e jogo. Contudo, convencionou-se a falar que um indivíduo “joga” Capoeira, nunca se deve dizer que um indivíduo “dança” Capoeira ou “luta” Capoeira. Ela transcende, por várias de suas peculiaridades, os conceitos ou denominações que tentamos dar a ela.
[4] Após a abolição, a Capoeira continuou marginalizada, sendo praticada ainda predominantemente por negros, mas também, por outros excluídos sociais, que viam nela uma forma de resistência e sobrevivência; Os marginalizados se uniam para formar as “Maltas de Capoeira”, que assaltavam casas nobres, roubavam dos ricos.
[5] No sentido fenomenológico: de desdobramento do vivido, de vivência, de possibilidades de ser (inerentes ao homem); estar em permanente interpretação e atualização de possibilidades de ser.
OBS.: A Fenomenologia e o Existencialismo são importantes bases filosóficas da teoria de Rogers.
[6] FREIRE, Roberto.
[7] No sentido dado pela Fenomenologia Hermenêutica heideggeriana.
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