O PRÉ-PARTO E O
ACONSELHAMENTO NA VISÃO DA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA.
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Autora:
Débora Lia Panato*
Resumo:
O parto é o momento de transição mais desejado e ao mesmo tempo mais temido
pelas gestantes. O processo do parto é um momento vivido com muita ansiedade,
que vem representado de várias formas. Com o intuito de proporcionar um bom
aproveitamento do parto, aplicou-se a filosofia de assistência ao parto chamado
"Parto Leboyer", que consta de vários ítens, sendo um destes o aconselhamento,
que por ser rápido, proporciona uma "tomada de consciência", facilitando o
processo. Trabalha-se basicamente os medos, ansiedades e fantasias da
parturiente. Como o tema faz parte de um estágio clínico obrigatório, e não há
bibliografias que falem sobre o assunto: "O parto e o aconselhamento na visão da
abordagem centrada na pessoa", este será descrito com as vivências e percepções
da autora, juntamente com a teoria, para sustentar o pensamento e a vivência.
PARTO - LEBOYER - ACONSELHAMENTO:
*Acadêmica do nono semestre do Curso de Psicologia da Universidade do Sul de
Santa Catarina - UNISUL - Tubarão. Telefone: (048) 433 6704. End.: Rua Benjamim
Bristott, 225, bairro Michel, Criciúma - SC.
COMO É NASCER? NA VISÃO DA CRIANÇA.
Segundo Kitzinger, o nascimento é uma experiência intensa, não apenas para a mãe
mas para o bebê também. É o clímax de uma época de crescimento e de espera. O
novo ser humano de repente é surpreendido por uma poderosa atividade uterina,
que o expulsa do interior de um músculo firme, que envolvia seu corpo, e do
berço do osso em que ele tinha sido embalado, para uma existência independente.
Saindo das profundezas do útero, passando debaixo do arco do osso, saindo
através da dobras macias da vagina, o bebê atravessa uma barreira de diferentes
tipos de estimulação sensorial. É a viagem misteriosa, mágica, original, e é,
provavelmente, mais surpreendente e cheia de surpresas do que a viagem que se
faz em qualquer túnel do amor em busca de coisas excitantes.
A experiência que o bebê tem do parto é uma pressão que se acumula sobre a coroa
da cabeça do bebê, quando ele é levado através do colo do útero, que se dilata e
o qual é puxado sobre sua cabeça. A pressão também é dirigida para as nádegas do
bebê, à medida que o útero se contrai sobre elas impulsiona-o para frente. De
modo que o bebê fica preso entre o útero, que comprime suas nádegas, e o colo do
útero, que é progressivamente puxado sobre sua cabeça. Esta pressão faz com que
o bebê fique enrodilhado sobre si mesmo no formato de uma bola, com a cabeça
enfiada entre os joelhos e os braços dobrados sobre o peito. A parte superior da
cabeça, que ainda não tem ossos solidificados, é firmemente moldada de modo que
a testa é comprimida para trás.
À medida que o bebê é forçado para baixo, a coroa da cabeça também se defronta
com a resistência dos músculos do assoalho pélvico, que são elásticas e firmes,
e, através deles, ela pouco a pouco força sua passagem. A abertura é estreita,
mas cede à passagem do bebê e todo o seu corpo é rigorosamente massageado a cada
contração, à medida que desce gradualmente.
Debaixo da pele esticada e da fina parede transparente do próprio útero, o bebê,
nas últimas semanas, podia perceber uma luz suave sempre brilhando sobre seu
corpo.
A impressão deve ser a mesma produzida pelo fogo de uma lareira ou por uma luz
que passa através de um quebra luz vermelho. Quando começa a viagem para o mundo
exterior, o bebê é comprimido no fundo da cavidade pélvica, debaixo de arcos
formados por ossos, músculos espessos e ligamentos de sustentação.
O bebê não é apenas um punhado de carne ou uma boneca de tamanho natural. Ele é
um ser humano que está perfeitamente equipado para sentir dor e prazer, é uma
pessoa que está nascendo. O bebê não pode se lembrar das coisas ou antecipá-las
como nós, mas apesar disso, ele é capaz de sentir intensamente e é um ser que já
tem os seus cinco sentidos funcionando de modo rudimentar, porém funcionando. O
útero segura e comprime a criança que ainda não nasceu, cada vez com mais força.
Por volta do fim do primeiro estágio do trabalho de parto, o útero está
comprimido firmemente o bebê durante um ou dois minutos de cada vez. Cada um
desses apertões começa suavemente e vai, aos poucos, ficando mais apertado, até
que no auge das contrações, o bebê é fortemente comprimido durante vinte e até
trinta segundos. Em seguida, a onda de pressão recua novamente e o útero relaxa
descansando para a próxima contração. O bebê também está em trabalho de parto ao
mesmo tempo que a mãe.
No segundo estágio, a cabeça tem que se curvar quase num ângulo reto. A pressão
aumenta até girar o pescoço de tal maneira que o bebê fica de cabeça para baixo
pronto para escorregar para fora. Isto proporciona um forte estímulo para o bebê.
Finalmente, a coroa da cabeça aponta através da abertura vaginal e permanece
ali. A cabeça escorrega para fora e subitamente o bebê encontra espaço e ar. Os
ombros e o peito deslizam para a frente, seguidos por todo o corpo. O bebê
engasga e o ar inunda os pulmões, enchendo-os pela primeira vez. As superfícies
internas e úmidas dos pulmões, abrem-se com o primeiro choro, com o qual o bebê
saúda a vida.
Ar, espaço, os ombros do bebê se movendo num meio estranho, peso, sons
estranhos, luzes ofuscantes, mãos frias que seguram o bebê, virando-o, de
repente um sem número de sensações assaltam o recém nascido. Não apenas os
pulmões precisam se encher de ar e começar a funcionar ritmicamente, mas a
circulação precisa encontrar novas vias.
Isto é basicamente o que acontece com o bebê no trabalho de parto. Soma-se a
isto, para a mãe, que sente tudo isto com seu bebê pelo fato dele estar dentro
dela, os sintomas físicos e que ocorre com a mãe.
COMO É NASCER? NA VISÃO DA MÃE.
O trabalho de parto começa com o amadurecimento e estiramento gradual do colo do
útero, que fica na base do órgão. Isto pode levar dias ou pode acontecer durante
algumas horas, principalmente se não for uma primigesta. Quando o colo do útero
estiver macio e esticado, as contrações uterinas - que já estavam acontecendo ao
final da gravidez - tendem a trazê-lo para cima pouco a pouco, de modo que ele
muda gradualmente de forma, passando de um canal longo, voltado para baixo na
vagina para um orifício na base do útero, pois os tecidos foram puxados para
cima , dentro do segmento inferior do útero.
O trabalho de parto é considerado como tal, pelos médicos, quando aparecem as
contrações regulares que dilatam efetivamente o colo. Para que isso aconteça,
normalmente tem-se 3 centímetros de dilatação.
Três coisas podem indicar que o trabalho começou, ou está para começar: - um
sinal aparece - é a eliminação de muco sanguinolento que se tem quando o colo
está começando a esticar. Até o início do trabalho, esse muco agiu como um
tampão gelatinoso no colo, fechando o útero. A aparição dele é um bom sinal de
que está havendo uma atividade definida ao redor do colo; - a bolsa de água se
rompe - quando as membranas que envolvem o bebê são pressionadas para baixo pela
porção anterior da extremidade de apresentação do bebê e a pressão vai
aumentando, a bolsa se rompe. Ela pode fazê-lo repentinamente com a eliminação
de uma corrente de água ou, como é mais comum, com uma eliminação lenta, é
importante que se procure o hospital neste caso para que se faça uma avaliação,
pois se o trabalho for vagaroso, levando 24 horas ou mais desde a ruptura das
membranas, há chance do bebê infectar-se, além de outras complicações; - começam
as contrações - as contrações são em torno do quadril e na parte mais baixa da
coluna, durando de quinze a vinte segundos, sendo que esta sensação se repete
novamente dentro de dez minutos ou até antes. Essas podem ser as contrações "de
ensaio" Braxton Hicks, que podem ser bem dolorosas e que ocorrem de quando em
quando por volta das três últimas semanas de gestação. Isto pode ser chamado de
"falso trabalho".
Para ter certeza que é realmente um trabalho de parto, cronometra-se as
contrações por um período de trinta minutos ou uma hora, anotando o intervalo
entre o começo de uma e o da próxima, e também a duração de cada contração. É
preciso que as contrações estejam acontecendo cada vez mais próximas umas das
outras e que sejam de quarenta segundos ou mais.
Durante as contrações , as fibras musculares do topo do útero se contraem ,
pressionando-o para dentro e para baixo em sua região central e produzindo um
levantamento do colo. Quando a cabeça do bebê é pressionada para baixo, devido à
ação das contrações, os tecidos musculares e fibrosos do colo do útero são
afastados. Em um trabalho de parto normal, a maioria das sensações físicas
causadas pelas contrações vem dessa àrea no interior e ao redor do colo, além de
um endurecimento e alargamento sentidos no topo do útero.
Uma vez que as contrações estejam ocorrendo normalmente, elas apresentam um
ritmo regular, em forma de ondas e duram cada vez mais, enquanto o intervalo
entre elas diminui.
Embora não se saiba com exatidão o que deflagra o trabalho de parto, um teoria
diz: Quando o tecido da glândula adrenal do bebê fica maduro, começa a produzir
cortisona. Isto inicia um processo notável. Ela altera o equilíbrio entre a
quantidade de estrogênio e progesterona produzidos pela placenta, abaixando o de
estrogênio e elevando o de progesterona, e isto, por sua vez, inicia a produção
de prostaglandinas. Essas agem no útero, tornando as contrações, que acontecem
nos últimos tempos de gravidez mais longas e mais freqüentes. Portanto as
contrações de início do trabalho podem ser iguais às de Braxton Hicks, porém
mais intensas e mais regulares.
Essas contrações mais eficientes pressionam a extremidade de apresentação do
bebê para baixo, na direção do segmento inferior de útero contra o colo. Este,
então, torna-se progressivamente mais esticado e fino, conforme as fibras
musculares são puxadas para cima, em direção ao segmento superior. O
esvaecimento e estiramento do colo deflagram a produção de ocitocina por parte
do útero ao entrar em um ritmo regular de contrações. O trabalho de parto
realmente começou.
O segundo estágio do parto é geralmente descrito como sendo um trabalho pesado,
esmagador, porém a mãe tem vontade de fazê-lo. Provavelmente se sente uma
vontade insuportável de fazer força e pressionar o bebê através de canal do
parto. O ato de fazer força não é uma coisa que se decida racionalmente, mas uma
energia que percorre o corpo e culmina com o nascimento do bebê.
No terceiro estágio do parto, embora não se sintam as contrações , o útero
continua a contrair após o nascimento do bebê. Isto faz com que a placenta se
descole do útero; já que ela não pode contrair-se. À medida que o útero se
contrai. Formando uma bola dura e firme, a massa placentária vai sendo descolada
automaticamente. Os orifícios nos quais os vasos sangüíneos placentários estavam
enraizados são ocluídos pela contração intensa do útero, e isto impede um
sangramento excessivo.
PARTO LEBOYER
Para amparar mãe e bebê neste momento que exige muita energia destes, onde, na
maioria dos casos, não existe um conhecimento prévio sobre o trabalho de parto,
deixando-a assustada por causa das reações físicas, aumentando esta sensação
junto à equipe médica e de saúde, quando estes tem um comportamento frio e
mecanicista, é que surge uma Filosofia de Assistência ao Parto, chamado Parto
Leboyer, que pode ser adaptada em qualquer tipo de parto.
Esta filosofia vem trazer um ambiente tranqüilo para que mãe e bebê sejam
respeitados neste ritual de passagem que é o nascimento de uma criança.
que caracteriza esta Filosofia é o respeito ao tempo do bebê para o nascimento,
ou seja, ele não é induzido com medicamentos, ao contrário, se faz pouco ou
nenhum uso, trabalhando somente com respiração que desempenha papel crucial.
Segundo Maldonado, a preocupação essencial desta Filosofia é receber bem o
recém-nascido, suavizando o impacto da diferença entre o mundo intra-uterino e o
extra-uterino. Pois havendo uma mudança da forma como vão tratá-lo, seguindo seu
ritmo, e qual o ambiente que será oferecido, este reagira de uma forma
completamente do habitual, refletindo na mãe, deixando-a mais tranqüila,
amenizando e até diluindo seus medos, ansiedades e fantasias.
"O que faz o horror do nascimento é a intensidade, a amplitude da experiência,
sua variedade, sua riqueza sufocante. Já dissemos que se acredita que
recém-nascido não sente nada. Ele sente tudo. Tudo totalmente, sem escolha, sem
filtro, sem discriminação. A quantidade de sensações que o assola no nascimento
ultrapassa tudo o que possamos imaginar.(...) as sensações ainda não são
organizadas em percepções ligadas umas às outras, equilibradas. O que as faz
ainda mais fortes, selvagens, intoleráveis, aflitivas". (LEBOYER, 1994: 30-31)
O que se pode fazer então, para recebê-lo tranqüilamente é propor uma sala de
parto com luz difusa, pois o bebê está acostumado com um ambiente onde a luz
chega filtrada e a noção que se tem de claridade é comparável à de uma luz
vermelha. Seus olhos são muito sensíveis, e ele demora a abri-los se o ambiente
for muito claro, mas se for respeitado, com pouca luz, logo abrirá grandes
olhos.
Para a mãe, um ambiente em penumbra traz tranqüilidade e acalento.
Quanto ao som da sala de parto, pode-se ter várias fontes. Pede-se o máximo de
silêncio, e as ordens médicas devem ser feitas em tom baixo e o mínimo possível.
O bebê reconhece já por volta do sexto mês a voz da mãe, principalmente do seu
coração, para que ele continue escutando estes sons tão reconhecidos e
aconchegantes é necessário o silêncio. É interessante, e uma das características
desta Filosofia é tocar músicas tranqüilas, principalmente a que a mãe costumava
cantar ou ouvir nos últimos meses de gestação.
Mãe e bebê relaxarão, ouvindo o que lhes dá prazer.
A temperatura do ambiente é muito importante. Ele estava num lugar quentinho,
molhado e pequeno, quando de repente ele é expulso deste lugar, e cai num
ambiente gelado, com muito espaço e seco. Para lidar com tudo isto é necessário
muito esforço do bebê; tem-se como resposta então, oferecer um ambiente quente,
nada de ar condicionado ligado para refrigerar o ambiente. Quanto ao espaço, não
há melhor lugar para se proporcionar ao bebê do que o ventre materno. O abdômen
da mãe se transforma em um ninho, perfeito para alojar o bebê. Nesta proporção
ele ficará quentinho, terá seu espaço respeitado, e ainda ouvirá o som do
coração de sua mãe, algo tão conhecido, para acalmá-lo. Neste momento, mãe e
bebê se tocam, o cordão ainda pulsa, com o tempo o bebê soltará alguns gritos,
que são necessários, mas não chorará. Terá o tempo que for necessário para
começar a se movimentar. Lentamente. A mãe acariciará o seu bebê e o segurará
para sustentá-lo. Não tocará em sua cabeça nem em sua coluna. Ele abrirá os
olhos. Está tranquilo. Depois da respiração ocorrer e ele conseguir respirar
normalmente e seu cordão parar de pulsar, corta-se.
Nada de esfregação em sua pele fininha e sensível, nada de banho rápido e gelado
ou embaixo de uma torneira. Com o tempo, uma banheira funda cheia de água morna,
próximo da mãe, para acompanhar, o pai banhando seu bebê. O bebê tranqüilamente,
sorri.
O ACONSELHAMENTO
A figura do Psicólogo entra já na chegada da parturiente na maternidade, para
basicamente trabalhar com os medos, ansiedades e fantasias acerca de todo o
processo que ou nunca aconteceu se for primigesta, ou se ocorreu de forma que a
assustou, se for segunda gesta ou mutípara. Os medos, ansiedades e fantasias
podem ocorrer de várias procedências. Um mal atendimento anterior; caso de
aborto; conversas com pessoas que não tem conhecimento e que usam de
superstição; lendas; senso comum; falta de leitura sobre o processo; fantasias
acerca do hospital; medo de morrer no momento do parto; medo do bebê "encalhar";
medo de achar que não vai conseguir fazer força; entre outras.
O aconselhamento vem dar suporte para um bom trabalho de reconhecimento destes
medos, ansiedades e fantasias, para que se elabore rapidamente, visto que o
trabalho de parto já está acontecendo, para que a mãe possa aproveitar com
tranqüilidade este momento.
A função do aconselhamento junto com o "Parto Leboyer" traz muitos benefícios
para a mãe e para o bebê, pois "para se mudar a vida é preciso mudar a forma de
nascer". (Michel Odent)
Existem várias formas de acontecer o encontro com a parturiente. Este pode se
dar no quarto, quando ela chega ao hospital; pode ser no corredor da
maternidade; na sala de exames; ou ainda na sala pré parto. Estes lugares são,
seguidamente, os passos que uma parturiente passa para, por último, chegar à
sala de parto. Quanto mais cedo acontecer este contato, melhor, pois assim
obtém-se mais dados para poder instrumentalizar no momento do parto.
Ao entrar em contato com a parturiente, há uma breve apresentação, sobre o nome
da estagiária e seu objetivo de trabalho e o nome da parturiente. Começa-se
então uma conversa para saber a estória gestacional. O aconselhamento entra
nesta fase, pois surgem aqui, os medos, ansiedades e fantasias que cercam a
gravidez e o parto. Estes são os dados que serão instrumentalizados. Para
trabalhá-los é usado uma postura de se "ouvir e sentir" a parturiente de todas
as formas, seu discurso, suas questões, seu movimento corporal, sua emoção,
entre outros; para compreendê-la através de seus conteúdos.
Percebendo o que a parturiente vai relatando e o que vai expressando, vai-se
questionando a fim de ter base para o aconselhamento. Além dos medos, ansiedades
e fantasias acerca do parto, a parturiente pode trazer outros medos referentes à
questões diversas; estas questões serão trabalhadas da melhor maneira possível
dentro da possibilidade de tempo para que se conheça estória, que se colha
informações e trabalhar com a parturiente com o intuito de ajudá-la na resolução
de seus conflitos.
Pela falta de tempo, pois este período em que estaremos em contato é breve
(algumas horas) e pode ser muito breve (uma hora ou menos), é impossível fazer
terapia, então para dar suporte emocional para a parturiente trabalha-se com o
aconselhamento.
Este acontece normalmente na sala de pré-parto onde a parturiente já está
acomodada pois já foi feito todo o procedimento, onde ela não é interrompida
repetidas vezes por questionamentos nem procedimentos. Com alguns dados já
colhidos e já percebido seu funcionamento do momento( se está falante ou não; se
está agitada ou não; se chora ou não; se sorri muito ou não; como vê a gestação;
como percebe as dores; como percebe o procedimento; e demais formas que ela vai
se apresentando). É interessante perceber como a parturiente se mostra nos
primeiros contatos e depois de alguns procedimentos já na sala pré-parto. Alguns
sentimentos porém se intensificam e outros podem enfraquecer ou simplesmente por
momentos não aparecer, para perceber isto e saber instrumentalizá-los para
trabalhá-los é importante que se preste muita atenção em toda a forma como a
parturiente vai se mostrar, sentindo de formas empática o que ela está sentindo
e dar base para que ela organize suas emoções, facilitando o processo,
deixando-a livre para que reconheça seu tempo para que se auto compreenda e
encontre respostas para sua dificuldade.
A descrição passo a passo sobre o parto na visão da mãe e do bebê feitas nos
primeiros momentos serve como demonstrativo e base , somente físicas, do que a
parturiente sente e muitas vezes não entende do mecanismo do parto. Somando-se a
estas mudanças radicais que o organismo sofre, ao emocional, ao senso comum, às
superstições, entre outras coisas que ainda não entrei em contato ou que é
vetado, sente-se necessidade de proporcionar à parturiente um ambiente acolhedor
dando origem à aplicação da Filosofia de Assistência ao Parto chamado Parto
Leboyer e o aconselhamento, visto aqui como um dos ítens de Parto Leboyer.
A experiência que venho tendo no parto e no pós parto com mulheres em que é
feito o aconselhamento tem sido gratificante pois há um aproveitamento maior do
parto se algumas questões são resolvidas de que são questionadas antes do parto.
Estas parturientes que passaram pelo aconselhamento participam ativamente do
parto criando um vínculo essencial para um bom desenvolvimento do bebê já na
sala de parto. No pós parto mostram-se mais confiantes e animadas frente à sua
tarefa com o bebê.
Assim, como já ocorreu também ser possível fazer contato com a parturiente
somente no pós parto, e esta desenvolver uma rejeição ao bebê.
Não significa, necessariamente, que as mães que são expostas ao aconselhamento
não possam desenvolver a rejeição, mas, os conteúdos que desencadeariam podem
ser trabalhados com maior chance de resolução.
Muitas coisas podem acontecer, não existem muitas regras, o que se propõe é uma
forma mais humana e digna de se tratar, uns aos outros, para que assim possamos
contaminar toda a sociedade com amor.
BIBLIOGRAFIA
KITZINGER, Sheila. Gravidez e Parto. Tradução por Copyright. São Paulo: Abril,
1981. 340p.
Tradução de: Pragnancy and Childbirth.
LEBOYER, Frédérick. Nascer Sorrindo. Tradução por Copyright. 15 ed. São Paulo:
Brasiliense,
1994. 153p. Tradução de : Pour une naissance sans violence
MALDONADO, Maria Tereza. Psicologia da Gravidez. 14 ed. São Paulo: Saraiva,
1997. 207p.
MALDONADO, Maria Tereza. DICKSTEIN, Júlio, NAHOUM, Jean Claude. Nós Estamos
Grávidos. 8 ed. São Paulo: Saraiva, 1996. 208p.
SCHEEFER, Ruth. Teorias de Aconselhamento. São Paulo: Atlas, 1982.
TUBARÃO - JUNHO - 1999
DECLARAÇÃO
Declaro que o artigo denominado: "O Pré Parto e o Aconselhamento na Visão da
Abordagem Centrada na Pessoa", de minha autoria, poderá ser divulgado no
Internet, desde que o mesmo esteja na íntegra utilizando o meu nome como autora.
Este artigo somente poderá ser utilizado para fins acadêmicos.
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