O Trabalho de Orientação Vocacional como um Assessoramento
Maio/1998
Maria do Céu Lamarão Battaglia
e-mail: mclb@pobox.com
orientadora vocacional
psicoterapeuta
mediadora
O mundo da educação e do trabalho vem exigindo de nós reformulações radicais nas formas tradicionais de funcionamento. Com as transformações que se sucedem ao desenvolvimento tecnológico, acreditamos que este seja um novo momento de reestruturação da relação homem-trabalho. A revolução dos meios de comunicação demarca a necessidade de uma nova organização, mais adequada a suas descobertas e inovações, que venha substituir as adaptações originadas pela revolução industrial.
A cada dia que passa, o tempo nos parece se tornar mais escasso e a velocidade na qual a vida transcorre impõe reformulações em nossas escalas de valores e prioridades. Partindo da experiência junto a escolas, alunos, pais de alunos e clientes em consultório, temos cada vez mais reformulado a visão da necessidade/disponibilidade efetiva do cliente tanto em psicoterapia como no trabalho psicoprofilático de orientação vocacional.
Tínhamos anteriormente, no Brasil, uma tradição do Teste Vocacional aplicado dentro de nossas escolas até aproximadamente 25 anos atrás. Este era um período onde o aluno parava efetivamente para pensar em seu futuro profissional. De lá para cá, por motivos que desconhecemos, os testes deixaram de ser utilizados nada restando em seu lugar.
A situação atual é caótica. Os jovens estão ingressando mais cedo nas universidades porém, completamente desorientados, experimentando curso por curso até que decidam na prática, mesmo que de maneira insegura, a faculdade que levarão a cabo. O número de alunos que trocam de curso ou não terminam chega ao índice alarmante de 47%. O custo social e pessoal de tempo e dinheiro é imenso.
O custo emocional gerador de stress e doenças, também. Isto sem levar em conta que, como estes alunos de maneira geral cursam um ou dois semestres apenas, muitas vezes trocam de faculdade sem realmente conhecer a carreira, já que somente pelo terceiro ano conseguem avaliar a profissão e suas possibilidades de uma forma mais consistente.
Outro fator que dificulta bastante é a abrangência e a enorme variedade de carreiras. Com a multidisciplinalidade, os jovens sentem-se muito inseguros em saber a partir de que curso podem melhor se preparar para determinada função. Preocupam-se também por não conhecerem todas as profissões existentes. Isto tudo sem contar com a busca incessante pela profissão que dá dinheiro! O medo do desemprego é assustador.
É neste contexto então, que se faz necessário o Assessoramento Vocacional. A técnica de Assessoramento, atende de maneira extremamente eficaz às necessidades específicas do cliente. Pontuaremos então as principais características do método de Assessoramento em relação ao objetivo que definimos como aprender a fazer escolhas. Neste momento específico, escolher a profissão.
Delineamento do Assessoramento Vocacional:
Comparativamente, à guisa de situar com maior clareza o que propomos realizar neste enfoque clínico de Assentamento, discriminamos abaixo como seriam trabalhados os pontos anteriores em um processo psicoterápico sem tempo de duração.
Delineamento de um Processo Psicoterapeutico :
Podemos então perceber os principais pontos que diferenciam o que denominamos um processo de terapia de um processo terapêutico. Entretanto, somente considerando que os pontos pré-determinados o são com prévio acordo entre cliente e terapeuta e que é o cliente quem busca o objetivo da escolha profissional, podemos admitir que este processo possa acontecer nos moldes de um Enfoque Centrado na Pessoa. É de primordial importância que o cliente deseje este assessoramento. Para que o trabalho alcance um resultado efetivo, seu ponto de partida não pode ser uma vontade baseada no dever ou na imposição externa, muitas vezes dos pais. Se faz necessário que o próprio cliente tenha a necessidade e a vontade de realizá-lo. A ausência deste mote impede qualquer resultado já que este é o produto de uma co-construção entre terapeuta e cliente.
Em nosso trabalho com escolas, a aceitação torna-se bastante ampla, ajudando o fato de não pertencermos ao quadro de funcionários, o que nos permite uma maior fluidez na relação com o aluno que se sente mais confiante e à vontade em expor suas dúvidas e conflitos. Ao final do processo, em uma entrevista com o cliente e seus pais, no caso de menores de idade, fazemos uma devolução à família. Pontuamos fatores observados durante o processo e caso necessário sugerimos indicações como cursos, tratamento psicoterápico ou atividades informativas. Considerando que nosso cliente é o orientando, é de suma importância ressaltar que existe um acordo prévio entre o psicólogo e o cliente a respeito do que será tratado neste encontro com os pais.
A grande substituição do emprego pelo trabalho, aflige a todos. Mesmo que isto nos custe uma reformulação socio-político-cultural, a oportunidade de expressarmos todo nosso potencial através do trabalho é certamente de valor inestimável. Talvez seja nossa grande tarefa no momento, como profissionais da área de saúde, conscientizar a comunidade do grande valor que existe em estarmos condenados no sentido sartreano a escolher um trabalho que nos realize, que nos complete, que seja a expressão de nossa criatividade e em ultima instância, de nosso ser no mundo.
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