Avaliação e Acompanhamento de Projetos Sociais

 

Escola de Pais

 

Maria do Céu Lamarão Battaglia

mclb@pobox.com

Rio de Janeiro Brasil

 

 

Introdução

Este trabalho tem como objetivo oferecer uma possibilidade diferente de método de pesquisa. Parte de uma visão integradora entre pesquisador e pesquisado permitindo que ambos compartilhem e desenhem o formato tanto da própria pesquisa quanto dos objetivos da proposta. Considera os diferentes saberes e valoriza as transformações concretas que podem e devem ocorrer durante e após o término da pesquisa. O objeto da pesquisa não é algo a ser utilizado para outros fins mas é um fim nele mesmo que poderá ou não ser utilizado como um dos desdobramentos possíveis a posteriori. Mais que objeto ele é sujeito. Não um sujeito que se sujeita mas um sujeito que existe, participa, contribui, influi e co-constrói o caminho do coletivo maior. Que acima de tudo compartilha e se torna responsável por si e pelos demais.

Inicialmente discorrerei um pouco sobre como e porque da escolha deste modelo de pesquisa. Mais a diante descrevo o trabalho da Escola de Pais onde está sendo utilizado este método. Por último esclareço de que maneira temos aplicado concretamente o método qualitativo no acompanhamento e na avaliação da Escola de Pais.

A Pesquisa

O estilo de trabalho e de pesquisa que satisfaz a meu desejo de aprender e crescer, inclui a mim e ao outro nesta viajem.

Uma avaliação fotográfica de uma situação para uma posterior avaliação individual minha partindo do meu saber e do meu intelecto apenas, me soa muito pobre e de pouca utilidade.

Daí o interesse em acoplar à uma análise quantitativa que também tem seu valor inegável, a análise qualitativa.

Num primeiro momento realizei isto de uma maneira particular. Hoje, depois do curso que tive a oportunidade de participar no CREFAL (México), pude dar um salto em direção a interação metodológica nesta avaliação qualitativa que passa de uma simples avaliação a uma avaliação transformativa nela mesma.

Atributos dos paradigmas das pesquisas

O que significa avaliar nos antigos e nos novos paradigmas

Existem duas tendências conflitantes em pesquisa neste século. Um paradigma que se caracteriza pela adoção de uma estratégia de pesquisa modelada nas ciências naturais e baseada em observações empíricas para explicar fatos e fazer previsões. Outro que

advoga uma lógica própria para o estudo dos fenômenos humanos e sociais, procurando as significações dos fatos no contexto concreto em que ocorrem.

O primeiro paradigma tem como postulado a existência de objetos fora da consciência e independente dela considerando então uma supremacia do mundo objetivo.

O segundo paradigma postula o sujeito pensante como evidência mais clara que o objeto pensado.

Um paradigma procura explicar o fenômeno, enquanto o outro procura compreende-lo.

Como estamos ainda em fase de transição de paradigma, encontramos hoje defesas das duas maneiras de lidar com o mundo.

Pesquisa Quantitativa

bulletConceito de realidade: objetivo, estrutural, parte da perspectiva do sistema, externa.
bulletSujeito/realidade: totalidade externa ao sujeito.
bulletTipos de relação: causal, busca da causa explicativa.
bulletLógica subjacente: dedutiva, orientada a comprovação.
bulletTipo de estudo: experimental, medição.
bulletTamanho de população: ampla e representativa.
bulletTécnicas: quantitativas

Pesquisa Qualitativa

bulletConceito de realidade: subjetiva, sentidos, parte da perspectiva do sujeito, interna.
bulletSujeito/realidade: totalidade construída inter-subjetivamente.
bulletTipos de relações: multidirecional, compreensiva.
bulletLógica subjacente: indutiva, orientada ao descobrimento.
bulletTipo de estudo: exploratório, construção de tipos.
bulletTamanho da população: pequena e intencionada.
bulletTécnicas: qualitativas.

Perguntaríamos então que diferença faz adotar um ou outro paradigma.

A ética na avaliação

O estilo de pesquisa que adotarei tem influência da pesquisa-ação de Kurt Lewin. São pontos comuns: a crítica à metodologia de pesquisa tradicional das ciências sociais, especialmente no que se refere à sua falta de neutralidade e objetividade; a recusa de aceitação do postulado de distanciamento entre sujeito e objeto de pesquisa, o que remete a necessidade não só da inserção do pesquisador no meio, como de uma participação efetiva da população pesquisada no processo de geração de conhecimento, concebido fundamentalmente como um processo de educação coletiva.

A pesquisa qualitativa traz o questionamento de que a ciência não pode ser apropriada por grupos dominantes como tem ocorrido historicamente, mas deve ser socializada, não só em termos de seu próprio processo de produção como de seus usos, o que implica na necessidade de uma ação por parte dos envolvidos na investigação (pesquisador e pesquisado) no intuito de minimizar as desigualdades sociais nos seus mais variados matizes (poder, saber, etc.).

Esta nova maneira de lidar e olhar o "objeto de pesquisa" nos traz outro referencial ético em relação ao mesmo. O grupo pesquisado deixa de ser um objeto, examinado, avaliado e quantificado de fora para ser um grupo participante que contribui e delineia também a própria pesquisa. Não seremos nós, detentores do saber que lhes diremos o como e o para que. Nos iremos descobrir e co-construir juntos.

Desta maneira, nossos saberes serão todos incluídos, aproveitados, respeitados e considerados. Aprenderemos nós e eles.

Na avaliação qualitativa estão considerados o contexto, a particularidade, o humano. É considerada a relação dinâmica que existe entre o mundo real e o sujeito. O vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito.

O objeto não é um dado inerte e neutro, está possuído de significados e relações que sujeitos concretos criam em suas ações. E isso não pode ser desconsiderado.

Vejamos agora alguns aspectos que considero básicos em nossas reflexões com os membros do grupo, nós inclusive, e que nos servem de norteadores num sentido mais global da proposta.

Aspectos chave de nossa vida em sociedade

bulletA necessidade de participar na definição e condução do país que queremos.
bulletA necessidade de sermos produtivos econômica e socialmente, sem importar a função que desempenhamos em nossa sociedade.
bulletA necessidade de nos organizarmos junto com outros cidadãos para resolvermos os problemas que nos afetam ou que afetam a outros grupos que estão em condição de debilidade para ajudarem-se a si mesmos.

Quem poderia ser então o profissional que daria conta deste tipo de proposta?

Dentro destes objetivos básicos, temos também um entrevistador facilitador que necessita ter como opção e postura pessoal algumas características fundamentais.

O Entrevistador

Marco prático

bulletFaz com que seu corpo trabalhe para ele mais do que contra ele. (contato visual, postura, movimentos, entonação da voz.)
bulletÉ consciente de suas possibilidades intelectuais e respeita o mundo das idéias.
bulletLê para ampliar sua visão de mundo.
bulletTem senso comum e inteligência social. ( conhece o contexto do grupo com que trabalha)
bulletProcura todos os recursos possíveis de ajuda para que seu entrevistado alcance suas metas.
bulletAjuda a gerar soluções alternativas.

 

Marco integrante

bulletEscuta atentamente ao outro.
bulletResponde freqüentemente ao outro.
bulletRespeita seu entrevistado e o expressa.
bulletSe interessa autenticamente pela pessoa.
bulletAjuda o entrevistado a explorar seu mundo de sentimentos, experiências e conduta.
bulletNão teme confrontar e fazer demandas que emerjam da experiência do cliente.

Agora entraremos nos aspectos da avaliação propriamente dita. Do como fazer.

Passos do Trabalho Qualitativo

Neste momento devemos seguir alguns passos que podem nos auxiliar na preparação de um projeto de trabalho consistente, que poderá nos facilitar a própria organização futura, a aprovação por parte de pessoas das quais estejamos dependendo para realização da proposta e o acompanhamento da qualidade e eficácia de nosso modelo de abordagem.

  1. Análise da situação problema
  2. Definição de objetivos
  3. Definição de estratégias
  4. Desenho do projeto
  5. Definição de indicadores (valores)
  6. Desenho de instrumentos

Avaliação como síntese da realidade

A avaliação do trabalho deverá ocorrer durante todo o processo e não apenas ao final. Sua realização traz consigo diferentes objetivos sintéticos e analíticos.

Síntese Avaliação participativa

Avaliação prospectiva

Análise Medida de eficiência

Comprovação de congruência com os objetivos propostos

Análise de processos

Análise de resultados sem referência aos objetivos propostos

Informação para a tomada de decisão

Investigação avaliativa

Retroalimentação

Vou agora falar um pouco de como acontece a Escola de Pais na Barra e mostrar a vocês como estamos fazendo então o processo de avaliação e acompanhamento do trabalho.

 

Escola de Pais

Maria do Céu L. Battaglia

mclb@pobox.com

CREFAL 07/00

Introdução

Este trabalho se fez realizar pelas grandes necessidades em que se encontram parte de nossa população, fazendo frente, através de atuação voluntária, a uma situação emergente de solidariedade e cooperação baseados em interesses comuns.

Pretende atuar tanto no âmbito da promoção quanto no da prevenção de saúde e desenvolvimento humano.

Promoção no sentido de modificar atitudes, hábitos e comportamentos das pessoas em ordem a resolver as diferentes situações nas quais se encontram. Acredito que são grandes as desvantagens para todos, se juntos não encontramos caminhos que possam favorecer ao ser humano, pertença este a que classe for.

Prevenção no sentido de evitar danos físicos ou psicológicos aos que se expõem a situações de risco.

Tem como finalidade a promoção do apoio a integração social, ao fortalecimento da cidadania, a recolocação profissional e a recuperação do núcleo familiar como fonte geradora de princípios e valores significativos importantes para construção de uma sociedade mais sadia e colaborativa.

Se destina a pessoas que se encontram vulneráveis ou em situação de risco, desvantagem, abandono, ou desprotegidas física, mental, jurídica ou socialmente.

O trabalho proposto se realiza através da própria comunidade que se organiza em ações a nível de promoção e prevenção as quais abrangem os mais diferentes âmbitos. Estas ações se traduzem em serviços de saúde, educação, recursos econômicos, capacitação e desenvolvimento pessoais.

Histórico do Trabalho

O trabalho teve início na I Vara de Infância e Adolescência onde são atendidas crianças vítimas de violência, abuso ou abandono, em situação de exclusão. É neste juizado também onde se dão as adoções.

Por solicitação do então juiz Siro Darlan à sua equipe de psicólogos coordenada por Mônica Meyer, com base no artigo 19 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi elaborado o projeto piloto da Escola de Pais. Diz o artigo que:

 

"Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de substâncias entorpecentes."

 

O projeto teve como objetivo três pontos principais:

 

     

  1. Fortalecimento dos adultos, facilitando uma atuação "sustentadora/acolhedora" destes pais para com seus filhos.
  2.  

  3. Criar novas possibilidades de reescrever a própria história e consequentemente transforma-la.
  4.  

  5. Trabalhar em grupo visando reativação de rede social segundo Sluzki (1997) para o qual, são funções da rede social: acompanhamento social, apoio emocional, guia cognitivo e conselhos, ajuda material e de serviços e acesso a novos contatos.

 

A primeira turma da Escola de Pais da I Vara de Infância e Juventude (IVIJ) teve início em janeiro de 1999, no centro da cidade, nas dependências do próprio juizado com psicólogos e assistentes sociais que fazem parte de seu quadro de funcionários.

Pretende-se também como objetivo do projeto, que este se dissemine pelos diferentes bairros da cidade e que cada grupo possa adequa-lo a sua realidade particular tomando as experiências anteriores apenas como ponto de partida.

Sendo assim, surge a segunda Escola de Pais que tem início em um bairro de classe alta nesta mesma cidade.

 

Escola de Pais da Barra da Tijuca

 

No segundo semestre de 1999, teve início a primeira Escola de Pais da Barra da Tijuca.

 

Entorno/Instituição

 

Neste bairro, o trabalho se realiza através da parceria entre a I Vara de Infância e Juventude, a Universidade Castelo Branco (UCB) e a comunidade local.

Ocorre dentro do espaço físico da UCB, que é uma universidade particular. Conta com o serviço profissional de psicólogas, assistentes sociais e fonoaudiólogas voluntárias assim como de outros auxiliares nas mais diferentes funções. Participam dele também algumas alunas da própria universidade. Recebe doações e apoio da Associação de Comerciários da Barra de Tijuca (ACIBARRA); apoio e espaço físico para atendimentos realizados pelos profissionais na sede da Sub-prefeitura da Barra da Tijuca; doações de alimentos dos comerciantes da região e apoio através de doações em dinheiro ou enxovais de bebes encaminhados por diferentes grupos de voluntárias deste mesmo bairro.

Sendo assim, é um trabalho que mobiliza direta e indiretamente um grande número de pessoas.

 

População Alvo

 

O projeto atende essencialmente a famílias de menores de 18 anos que foram recolhidos nas ruas do bairro da Barra da Tijuca quer seja esmolando quer seja realizando qualquer outra atividade.

 

Processos

 

O trabalho se desenvolve em 8 etapas, sendo as 5 primeiras em um semestre e as 3 ultimas no semestre seguinte:

 

     

  1. Campanha "Ano dê esmola. Lugar de criança é na escola".
  2.  

  3. Recolhimento das crianças nas ruas.
  4.  

  5. Encaminhamento das crianças para os abrigos.
  6.  

  7. Localização dos familiares.
  8.  

  9. Intimação pessoal do juiz a freqüência dos pais a Escola de Pais (EP) e de seus filhos a escola.
  10.  

  11. Freqüência dos pais a EP e apoios paralelos necessários.
  12.  

  13. Solenidade de Encerramento.
  14.  

  15. Acompanhamento as famílias.

 

A campanha "Não dê esmola. Lugar de criança é na escola." É realizada pelos funcionários da Sub-prefeitura e por voluntários que vão para as ruas distribuir folhetos que contem o seguinte texto:

 

"Se eu soubesse escrever, trocaria a esmola pela escola, mas eu só sei pedir.

Eu sei que a sua intenção é boa, mas há muito tempo sua caridade vem me fazendo prisioneiro das ruas. Assim, estarei aqui neste sinal todos os dias, mas eu vou crescer e sua caridade vai virar medo e preconceito.

Ano deixe que isto aconteça, meu futuro está em suas mãos.

Se você quiser me ajudar de verdade entre em contato com:

 

I Vara da Infância e Adolescência Sub-prefeitura da Barra

Telefone: .... Telefone: ..... "

 

 

Desenvolvimento do trabalho da Escola de Pais

 

A EP tem a duração de 8 encontros, uma vez por semana, das 8:00 às 12:00 horas.

Ao chegarem, são recebidos com um farto café da manha para seguirem as atividades logo após. Quinzenalmente recebem uma cesta básica.

As crianças menores, em idade pré-escolar são trazidas por seus pais e ficam em atividades paralelas com uma equipe de recreadores.

O trabalho com os pais divide-se então em dois momentos:

 

     

  1. Momento Teórico
  2. Recebem informações sobre diferentes temas como:

     

     

     

     

     

     

     

    bulletNutrição
    bulletHigiene e Saúde
    bulletDrogas
    bulletPlanejamento familiar
    bulletDireitos e deveres
    bulletPreparação para recolocação profissional
    bulletA criança e seu desenvolvimento

     

       

    1. Momento de reflexão

     

    Após a aula teórica, refletimos sobre as informações adquiridas, sua aplicação e possibilidades. Posicionamentos pessoais frente a elas e ao que for surgindo.

     

    Os principais objetivos e pontos a trabalhar são então:

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    bullet fomentar a autoconfiança
    bullet melhorar a comunicação
    bullet conscientizar sobre a co-responsabilidade no ser e estar atual
    bullet descobrir mais sobre a própria capacidade de criar
    bullet trocar informações, conhecimentos formais
    bullet recuperar a capacidade de sonhar
    bullet aprofundar os contatos pessoais
    bullet auxiliar na ampliação do locus de busca de afeto
    bullet implementar a cooperação
    bullet redefinir limites e possibilidades pessoais, culturais e sociais
    bullet ampliar referenciais inter-classes sociais
    bullet ressignificar questões de gênero

     

    Acompanhamento

     

    O processo de acompanhamento e avaliação ocorre durante todo o processo num modelo de retroalimentação. Durante a EP propriamente dita o acompanhamento é feito tomando-se como norteadores 5 fatores principais. São eles:

     

       

    1. Relatos pessoais dentro e fora do grupo.
    2.  

    3. Mudanças de posturas e atitudes.
    4.  

    5. Alterações no número de participantes.
    6.  

    7. Alterações no número de participantes do sexo masculino.
    8.  

    9. Material recolhido no último encontro onde os participantes trazem para o grupo alguma forma de expressão quer seja através de desenho, escrita, som, movimento, objetos, fotos, poesias, etc..

     

    Após o término das aulas da EP, o grupo se reúne mensalmente por mais um período de 3 a 6 meses, dependendo de sua necessidade específica. Neste período o acompanhamento se realiza através de questionários semi-dirigidos e discussões abertas.

    Num terceiro momento é realizada a análise do material.

    São quatro norteadores para um mesmo modelo de questionário, cada um deles com uma função específica.

     

       

    1. Norteador I: auto-avaliação dos participantes.
    2. Objetivo: acompanhar as ações que estão desenvolvendo seus participantes.

       

       

    3. Norteador II: avaliação do trabalho da EP pelos participantes.
    4. Objetivo: retroalimentação e remodelamento do trabalho.

       

       

    5. Norteador III: auto-avaliação da equipe.
    6. Objetivo: acompanhar as ações que estão desenvolvendo em sua atuação.

       

       

    7. Norteador IV: avaliação do trabalho da EP pela equipe.

    Objetivo: retroalimentação e remodelamento do trabalho.

     

    Cada questionário tem apenas três perguntas que são respondidas tomando como referência um dos quatro norteadores. São elas:

     

       

    1. Que bom que...
    2.  

    3. Que pena que...
    4.  

    5. Que tal se...

     

     

    Tabela de Avaliação

     

    A construção da tabela de avaliação é feita tomando-se como ponto de partida os valores a serem trabalhados no grupo dentro da proposta inicial. Posteriormente buscamos os constructos teóricos que fundamentam ou embasam os valores determinados. Por último vamos definir a tabela das atitudes em termos das disposições corporais dinâmicas que definem os diferentes domínios de ação em que nos movemos.

     

    Tabela de Avaliação

     

    CONSTRUCTO DA ACP

    VALOR

    ATITUDES

    Consideração positiva de si

    Quando todas as experiências pessoais aso percebidas como igualmente dignas de consideração positiva.

    Autoestima

    bulletReconhecimento pessoal do próprio valor
    bulletReconhecimento de seu potencial para construir uma vida melhor
    bulletReconhecimento de poder contribuir com a sociedade
    bulletConfiança em sua capacidade em alcançar objetivos

    Disposição de:

    bulletExpressar-se no grupo
    bulletAssumir e cumprir responsabilidades
    bulletFazer projetos a longo prazo
    bulletPersistir nos objetivos
    bulletRespeitar seus limites

    Eu

    Se refere as percepções das características de si mesmo, as percepções das relações de si mesmo com os outros e dos diferentes aspectos da vida, junto com os valores agregados a estas percepções.

     

    Identidade social

    bulletValorização pessoal em relação ao valor que confere a seu grupo social
    bulletConsciência de pertinência a qual permite crescer e desenvolver-se individual e coletivamente

    Identificação positiva ou negativa em que se expressam em relação a:

    bulletVestimenta
    bulletManeira de falar
    bulletManeira de se comportar
    bulletBairro onde moram

    Tendência atualizante

    Todo organismo tem a tendência inata a desenvolver todas as suas potencialidades no sentido de conservar-se ou melhorar-se.

    Criatividade

    bulletCapacidade de buscar soluções e inovar ações no meio em que vive

     

    bulletAproveitar recursos locais não reconhecidos
    bulletEncontrar soluções novas para seus problemas

    Funcionamento pleno

    Uma pessoa que aprende a todo momento com suas experiências

    Responsabilidade

    bulletCapacidade de reconhecer erros e aprender com eles
    bulletCapacidade de reconhecer sua participação nos acontecimentos
    bulletMudança de maneira de justificar suas dificuldades
    bulletMudança na maneira de atuar no mundo

    Congruência

    Quando o indivíduo percebe o mundo de maneira realista. Quando ano esta na defensiva e aceita a responsabilidade de ser diferente do outro. Quando avalia a experiência e é capaz de modificar sua avaliação. Quando aceita o outro como ser individual e diferente.

    Respeito

    bulletCapacidade de diferenciar a si e ao meio reconhecendo a ambos
    bulletAceitação da pluralidade
    bulletCapacidade de tolerar as diferenças
    bulletCapacidade de exercer a liberdade com responsabilidade e dignidade
    bulletCapacidade de respeitar a si mesmo e ao outro
    bulletCapacidade de permitir o diferente
    bulletAceitação de seus próprios limites

    Tendência atualizante

    Todo organismo tem a tendência inata a desenvolver todas as suas potencialidades no sentido de conservar-se ou melhorar se.

    Cooperação

    bulletAmparar, auxiliar e contribuir com o outro em suas necessidades

     

    bulletAtitudes práticas em relação a auxiliar o outro em suas necessidades físicas ou psíquicas

    Congruência

    Quando o indivíduo percebe o mundo de maneira realista. Quando ano está na defensiva e aceita a responsabilidade de ser diferente do outro. Quando avalia a experiência e é capaz de modificar sua avaliação. Quando aceita o outro como ser individual e diferente.

    Integridade

    bulletHonestidade consigo mesmo e com o outro
    bulletRespeito a si próprio e ao outro

     

    bulletAceitação de seus próprios limites
    bulletTransparência

    Tendência atualizante

    Todo organismo tem a tendência inata a desenvolver todas as suas potencialidades no sentido de conservar se ou melhorar se.

    Confiança

    bulletCapacidade de se expor
    bulletCapacidade de crer em si e no outro
    bulletFalar abertamente de si
    bulletContar com o outro

    Empatia

    Perceber corretamente o marco de referência interna do outro com os outros significados e componentes emocionais que contém, como se fosse a outra pessoa, sem perder a condição de ¨como se¨.

    Igualdade de gênero

    bulletPerceber o sexo oposto como alguém com necessidades e desejos que devem ser respeitados compreendidos e acolhidos
    bulletPerceber o sexo oposto como alguém que possui os mesmos direitos e deveres
    bulletAtitudes de igualdade ou diferença em relação a pessoas de sexo oposto
    bulletModo de referir se ao sexo oposto
    bulletForma de comunicação com o sexo oposto

     

    Conclusão

    Com base nestes novos referenciais de avaliação faremos o acompanhamento do trabalho que atualmente encontra-se nesta fase. Este novo enfoque nos traz a possibilidade de uma avaliação construtiva e terapêutica em si mesma o que faz com que o propósito avaliativo transcenda a função anterior dos moldes estáticos e puramente avaliativos, tradicionais.

    A medida em que respondemos o questionário vamos também refletindo e reformulando nosso estar no mundo.

    A medida em que escutamos as respostas do outro, nos invadem novas questões, novas visões de mundo e novas possibilidades.

    Esta é uma experiência dinâmica e interativa extremamente produtiva e construtiva para todos os participantes.

    Aqui aprendemos todos. Não há observado e observador, pesquisado e pesquisador. Somos todos co-aprendizes. O saber flui num movimento circular constante, sem começo nem fim.

    Ampliando as finalidades da avaliação qualitativa

    A avaliação qualitativa tem como finalidade atender a diferentes domínios. Algumas de suas utilizações principais são:

    bulletTrazer a proposta de um trabalho útil a todos
    bulletObjetivar acompanhar e redirecionar o trabalho se necessário for
    bulletPretender desvelar e desenvolver potencialidades
    bulletAlmejar o crescer e aprender juntos
    bulletSe prestar a conseguir recursos e apoio material
    bulletIntencionar fomentar a ação

    Esta maneira especial de "pesquisar" é atualmente a que mais me agrada. A que me soa mais inclusiva e sobretudo mais ética. A que mais me permite aprender e compartilhar. Desvelar mundos desconhecidos e descobrir diferentes verdades todas elas verdadeiramente verdadeiras.

     

     

    Bibliografia Geral

     

    CHIZZOTTI, A. (1991). Pesquisa em ciências humanas e sociais. SP. Ed. Cortez

    DÁVILA, A. (1995). "Cap. 2: Las perspectivas metodológicas cualitativa y cuantitativa en las ciencias sociales: Debate teórico e implicaciones praxeológicas", en: Métodos y técnicas cualitativas de investigación en ciencias sociales. España: Síntesis/ Juan Manuel Delgado y Juan Gutiérrez, editores. Págs. :69 –83.

    GARLINDO, G. (1998). Modelo Humanista de evaluación y seguimento de proyectos sociales financiados por instituciones no lucrativas. Tesis para obtener el grado de maestria en Desarrollo Humano. Universidad Iberoamericana Plantel Santa Fe. México, D.F.

    HAGUETTE, T. M. F. (1987). Metodologias Qualitativas na Sociologia. RJ. Ed. Vozes

    MEYER, M. (1998). Anteprojeto: Grupo de Orientação e Apoio para Pais (ECA, Art. 129, IV) Escola de Pais. I Vara da Infância e Juventude. Núcleo de Psicologia.

     

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